Onde está seu coração?

Eu já comentei em outras oportunidades aqui sobre as coisas q se perde e q se abre mão nessa "vida de circo", o tempo todo na estrada.
Não quero fazer desse blog um muro de lamentações, até pq seria injusto da minha parte já q, faço o q amo e faço pq quero. Escolhi essa vida, mais q isso, lutei por ela.
Em resumo, ninguém me obrigou a nada.
Não, não quero reclamar, quero e preciso ser grato, mas há momentos em q a gente quer desabafar, compartilhar, dividir c/ alguém, então segue a história de hj:
A alguns anos atrás, eu e minha esposa, fomos em uma construtora e fizemos negócio em uma casa, ainda na planta, no papel, apenas um sonho q começava a ter cara.
Muitas e muitas vezes passamos em frente ao terreno baldio onde seria contruido o empreendimento e foi uma alegria imensa quando começaram a limpar o terreno.
Depois veio a terraplanagem, os fundamentos, a casa começou a subir, o acabamento... acompanhamos quase q diariamente esse processo. Depois a casa pronta, um atraso na documentação, a entrega... Começamos a fazer algumas alterações q a contrutora não incluia e enfim, a casa ficou pronta essa semana.
Queriamos mudar antes do Natal, então só restou esse fim de semana p/ a mudança. Ela aconteceu hj e... eu não estava lá...
Todo mundo carregando caixa: Minha esposa grávida, minha mãe, meu pai, o Serginho vizinho do meu pai e... eu não estava lá...
Não vi as coisas chegarem, não ajudei a coloca-las no lugar.
Quando eu chegar e confortavelmente entrar s/ ter tido trabalho nenhum, vou me lembrar q não vivi esse momento, não compartilhei dessa alegria, não subi no caminhão de mudança, não sou personagem do capítulo final da história q começou quando começamos a procurar o imovel.
Engraçado q minha memória mais antiga é justamente do dia em q mudamos do sitio do meu avô para nossa casa no Taquaral (sempre em Campinas), eu tinha apenas 3 anos.
É claro q me lembro muito vagamente, apenas algumas imagens, mas eu me lembro e não tenho lembranças de nada antes disso. Deve ter sido muito marcante pra eu me lembrar 34 anos depois. Claro q foi.
Nesse momento estou em Recife-PE, amanhã a gente faz o último show do ano, mais q isso, o último show da tourne do DVD Acústico (com exceção do show especial de encerramento na Canção Nova), vivendo o previlégio de tocar música pra Deus (um sonho perseguido por toda vida), junto de pessoas maravilhosas, da minha janela eu vejo o mar, enfim, nada poderia ser mais perfeito, exceto pelo fato de eu estar sentindo esse aperto no peito.
Não vivi essa experiencia, não vou vive-la mais, passou.
Não quero me fazer de vítima nem de herói, existem médicos, policiais, comerciários, caminoneiros, soldados, vendedores, atletas, pesquisadores, etc., etc., etc., uma gama imensa de profissionais q perdem momentos como esses em função de seus oficios e objetivos. E pra mim então é muito mais q profissão, é missão, faz muito mais sentido. Mas, especificamente hj, meu coração não está aqui.
Acho q felicidade é estar onde está seu coração
Não quero aplausos, só quero por pra fora, me perdoem o desabafo.
Está tarde, vou dormir...

"peça que nesta noite Ele te toque
E cure todas suas feridas
E vele o sono e espere acordar
Amanhã será um novo dia"



Escrito por Rogério Feltrin às 04h43
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Rogério Feltrin nasceu em Campinas-SP, em 1972, e é formado em Publicidade e Propaganda. Ainda pré-adolescente, descobriu o que realmente ama fazer: música. Já no primário, ingressou na fanfarra do Colégio Salesiano, onde estudou. Poucos anos depois, fundou com um grupo de amigos a banda Rosa de Saron.
É autor e co-autor de inúmeras canções da banda.
“ Rock, Fé e Poesia. 20 anos de Rosa de Saron narrados através de
suas músicas” é seu primeiro livro, lançado em 2008, em comemoração
pelos 20 anos de hist ória da banda.




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